Normas Profissionais

Por força do número 2) da alínea b) do artigo 18º dos Estatutos bem como dos artigos 7º e 8º do Código Deontológico, a Assembleia da Associação Internacional dos Intérpretes de Conferência adopta as presentes Normas Profissionais cuja finalidade é assegurar qualidade óptima à prestação profissional levando simultaneamente em conta os constrangimentos físicos e psíquicos inerentes ao exercício da profissão.

Artigo Primeiro

ENDEREÇO PROFISSIONAL

a) Os membros da Associação declaram uma localidade que corresponde ao seu único endereço profissional. Esse local que figura na lista dos membros da Associação e serve, nomeadamente, de base à constituição das regiões.

b) Os membros pertencentes ao quadro (de efectivos) permanente(s) dos serviços linguísticos duma organisação devem fazer constar essa qualidade na lista de membros e o seu endereço profissional não pode ser distinto daquele onde será o seu local de afectação.

c) Tendo em conta a estrutura regional da Associação, para permitir aos membros exercer o seu direito de voto quando das reuniões regionais estatutárias e com o objectivo de garantir o respeito pelas regras sobre quotizações, qualquer mudança de endereço profissional duma região para outra tem que ter uma duração igual ou superior a 6 meses. Estas alterações devem ser notificadas ao Secretariado com uma antecedência mínima de 1 mês para poderem ser publicadas tempestivamente na lista dos membros da Associação. Compete ao Secretariado informar os membros do Conselho e os Secretários regionais de ambas as regiões.

Artigo Segundo

CONTRATO DE TRABALHO

a) Para obviar a qualquer dificuldade entre as partes, os membros da Associação só deveriam aceitar uma proposta de trabalho desde que conheçam com rigor as condições contratuais e desde que tenham garantias em como a sua identidade e a sua remuneração são do conhecimento do organisador da conferência (no caso de não ser o organisador da conferência quem faz a proposta de trabalho, encontram-se no Anexo 2 as disposições específicas respectivas).

b) Associação tem à disposição dos membros que o solicitem formulários de contrato-tipo.

c) Cada contrato de trabalho deve estipular que a interpretação se destina exclusivamente para audição imediata pelo público da conferência. Não pode ser efectuada nenhuma gravação, nem mesmo por parte da audiência, sem o consentimento prévio dos intérpretes em causa, de acordo com as disposições das convenções internacionais aplicáveis em matéria de direitos de autor.

Artigo Terceiro

CANCELAMENTO DE CONTRATAÇÃO
  1. Cancelamento por parte do intérprete

    Os membros da Associação comprometem-se a só se desvincularem dum contrato quando puderem:

    1. fazê-lo com suficiente pré-aviso;
    2. invocar motivos muito fortes e
    3. propor um colega que os substitua ao intérprete-recrutador ou, caso este não exista, directamente ao organisador da conferência, a não ser que estes prefiram contratar eles próprios o substituto;
    4. seja qual for o caso, conseguir que o organisador da conferência aprove a substituição o mais rapidamente possível.

2. Cancelamento por parte do organisador

Do contrato deve constar um artigo que estatua adequadamente sobre a eventualidade de um cancelamento por parte do organisador da conferência.

Artigo Quarto

REMUNERAÇÃO

À excepção dos Acordos assinados pela Associação, cada membro estabelece livremente a sua remuneração.

Artigo Quinto

TRABALHO VOLUNTÁRIO

Quando os membros da Associação prestam os seus serviços graciosamente, em conferências com objectivos caritativos ou humanitários, respeitam as condições definidas no Código Deontológico e nestas Normas Profissionais.

Artigo Sexto

EQUIPAS DE INTÉRPRETES

Para garantir uma qualidade óptima à prestação profissional, tendo em conta o cansaço físico e mental induzido pela concentração contínua, é indispensável respeitar certos parâmetros quando da composição das equipas de intérpretes.

O número mínimo de intérpretes numa equipa é função desses parâmetros bem como do modo de interpretação, do número de línguas utilizadas e da classificação linguística dos intérpretes da equipa, da natureza da conferência, da sua duração e da carga de trabalho. 

1. Interpretação em modo consecutivo                                  

Número de línguas utilizadas  Número mínimo de intérpretes
2 línguas interpretadas para 2 línguas 2
3 línguas interpretadas  para 3 línguas  3

Em casos excepcionais e desde que os princípios de qualidade e de saúde estejam salvaguardados, pode ser contratado um único intérprete em vez de 2, ou 2 intérpretes em vez de 3. 

2. Interpretação em modo sussurrado

Para uma reunião com interpretação sussurrada a partir duma ou de duas línguas para uma outra língua, para um máximo de 2 ouvintes, com ou sem "retour" em interpretação consecutiva, são necessários no mínimo 2 intérpretes. 

3. Interpretação em modo simultâneo

As equipas de intérpretes devem ser compostas de forma a evitar o recurso sistemático à interpretação indirecta ("relay").Todavia, quando para uma determinada língua for necessário recorrer à interpretação indirecta, a equipa terá que contar no mínimo com 2 intérpretes-pivôts. Além disso, quando a interpretação indirecta for assegurada por uma cabina bidireccional, o número mínimo de intérpretes dessa cabina terá que ser (de) 3. 

Em princípio, uma equipa é composta por pelo menos 2 intérpretes por língua e por cabina, para garantir uma boa cobertura em todas as línguas bem assim como a qualidade exigida. 

O número de cabinas é o mesmo do número de línguas de chegada, excepto no caso de conferências com 2 línguas de trabalho e nas quais uma única cabina pode ser suficiente. 

Ver quadro de efectivos a seguir: 

QUADRO DE EFECTIVOS - INTERPRETAÇÃO SIMULTÂNEA EM CABINA

Nº de línguas utilizadas na sala

Nºde cabinas

Nº de intérpretes (1)

Conferência com 1 língua, interpretada para:    
1 outra língua 1 2 *
2 outras línguas 2 4
... (2)    
Conferência com 2 línguas, interpretadas para:    
1 dessas línguas 1 2 *
essas mesmas 2 línguas 1 ou 2 3**
3 línguas (2+1) 3 5
4 línguas (2+2) 4 7
... (2)    
Conferência com 3 línguas, interpretadas para:    
1 dessas línguas 1 2
2 dessas línguas 2 3
essas mesmas 3 línguas 3 5***
4 línguas (3+1) 4 7
5 línguas (3+2) 5 9
... (2)    
Conferência com 4 línguas, interpretadas para:    
1 dessas línguas 1 2
2 dessas línguas 2 4
3 dessas línguas 3 6
essas mesmas 4 línguas 4 8***
5 línguas (4+1) 5 10
6 línguas (4+2) 6 12
... (2)    
Conferência com 5 línguas, interpretadas para:    
1 dessas línguas 1 2
2 dessas línguas 2 4
3 dessas línguas 3 6
4 dessas línguas 4 8
essas mesmas 5 línguas 5 10
6 línguas (5+1) 6 12
7 línguas (5+2) 7 14
... (2)    

Notas relativas ao Quadro de Efectivos

  1. O número de intérpretes deve ser maior:
    • quando as combinações linguísticas são tais que o número mínimo de intérpretes não é suficiente para as cobrir,
    • quando os horários da conferência são pesados,
    • quando há um grande número de intervenções escritas a apresentar na conferência e em casos de conferências técnicas e científicas que necessitam de um esforço considerável de preparação.
  2. E assim por diante: cada cabina que trabalhar continuamente terá que ter no mínimo 2 intérpretes. Para além disso, quando a interpretação indirecta for assegurada por uma cabina bidireccional, o número mínimo de intérpretes dessa cabina terá que ser (de) 3.

* Em princípio, um intérprete não trabalha sozinho, sem possibilidade de substituição, numa cabina de interpretação simultânea.

** Neste caso um dos intérpretes deve poder substituir cada um dos 2 outros. Em determinadas circunstâncias, este número pode ser reduzido para 2 (nomeadamente em reuniões de curta duração ou de temática de caracter geral, desde que cada um dos 2 intérpretes interprete para ambas as línguas?).

*** Em determinadas circunstâncias, e desde que os princípios de qualidade e de saúde se encontrem salvaguardados, este número pode ser reduzido em uma unidade (para reuniões de curta duração e de temática de caracter geral).

4. Video-conferências e tele-conferências (conferências à distância)

A Associação adopta princípios respeitantes ao trabalho dos intérpretes em contexto de video e tele-conferências.

Artigo Sétimo

DIA DE INTERPRETAÇÃO

Por imperativos de qualidade e de saúde , a duração normal dum dia de interpretação não ultrapassa 2 períodos de 2h30 a 3h00 cada um.

Artigo Oitavo

JORNADAS SEM INTERPRETAÇÃO

Do contrato deveria constar  uma cláusula estatuindo sobre jornadas da conferência sem interpretação, bem como os dias de viagem, os dias de adaptação depois duma viagem longa e os dias de reunião prévia de preparação "briefing", consoante os casos.

Artigo Nono

VIAGEM

Cada contrato deveria conter, quando for caso disso, uma cláusula que estatua sobre as modalidades de viagem.

Artigo Décimo

DIAS DE ADAPTAÇÃO

As condições de viagem devem ser tais que não afectem nem a saúde do intérprete, nem a qualidade do seu desempenho à chegada.

Depois duma longa viagem, ou depois duma viagem que implique uma diferença importante de fusos horários, deveria estar prevista a atribuição de dias de adaptação.

Artigo Décimo Primeiro

ALOJAMENTO E AJUDAS DE CUSTO

a) O contrato deveria prever, quando for caso disso, uma cláusula estatuindo sobre modalidades de alojamento e ajudas de custo.

b) O Secretariado tem à disposição dos membros que a solicitem uma lista das diárias cobradas por hotéis no mundo inteiro, bem como a lista dos hotéis que fazem descontos aos membros.

Artigo Décimo Segundo

 ACORDOS

As condições que se aplicam ao trabalho dos intérpretes independentes, vulfo "freelance" a exercer nas organisações que assinaram um acordo com a Associação, e que constam dos referidos acordos decorrentes duma negociação abarcando nomeadamente as condições de trabalho, de remuneração, de efectivos e de segurança social, são vinculativas para os membros.

Artigo Décimo Terceiro 

REUNIÕES INTERGOVERNAMENTAIS NÃO SUJEITAS A UM ACORDO

Podem aplicar-se determinadas condições de trabalho específicas ao trabalho dos membros em reuniões intergovernamentais que não estão sujeitas a um acordo celebrado com a Associação.

Artigo Décimo Quarto

INTÉRPRETES DO QUADRO PERMANENTE

A Associação adopta recomendações relativas às condições de trabalho dos intérpretes do quadro permanente  ( a Carta do Intérprete Permanente).

Artigo Décimo Quinto

 PROCEDIMENTO DE ALTERAÇÃO

As propostas de alteração às presentes Normas Profissionais regulamentares, apresentadas após parecer jurídico, são aprovadas pela Assembleia por maioria de 2/3 dos sufrágios expressos.

Anexo 1 : Directrizes para a contratação de intérpretes

Anexo 2: Organisadores profissionais de conferências


2012



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